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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Polícia Civil pode ouvir até 400 presos sobre matança em Alcaçuz

Delegado Marcos Vinícius, da DHPP, preside comissão que investiga massacre em Alcaçuz (Foto: Thyago Macedo / G1)
Delegado Marcos Vinícius, da DHPP, preside comissão que investiga massacre em Alcaçuz (Foto: Thyago Macedo / G1)

 A comissão especial composta por quatro delegados da Polícia Civil que investiga a matança de presos em Alcaçuz, massacre ocorrido durante as rebeliões de janeiro, deve ouvir até 400 presos daquela unidade. Alcaçuz fica em Nísia Floresta, cidade da Grande Natal. Pelo menos 26 presos morreram. Destes, 15 tiveram as cabeças arrancadas. Muitos corpos também foram esquartejados e depois queimados dentro das celas. A matança é considerada o episódio mais violento da história do sistema prisional potiguar.

Até o momento, um total de 114 internos foram ouvidos ainda durante as semanas que ocorreram os confrontos. Destes, cinco foram apontados como líderes de uma das facções criminosas envolvidas nos confrontos, já indiciados pelos assassinatos e transferidos para presídios federais.

Presidente da comissão e delegado da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Marcos Vinícius disse ao G1 que 21 agentes penitenciários prestaram depoimento recentemente, e que nos próximos dias devem ser ouvidos 30 policiais militares que trabalhavam na guarda externa da penitenciária.

"Nós trabalhamos com o número oficial de 26 homicídios e, além dos cinco presos que foram identificados, indiciados e retirados de Alcaçuz ainda durante a semana das rebeliões, queremos identificar outros presos envolvidos em cada um desses crimes. Mas, esse é um processo bastante trabalhoso, pois precisamos ouvir muitas pessoas devido às circunstâncias em que os homicídios aconteceram. Será preciso individualizar as condutas", explica.

Indiciados
Dos 114 presos que já prestaram depoimentos, cinco já tiveram processos judiciais instaurados pela comarca de Nísia Florestax referente à matança em Alcaçuz. São eles:


1) José Cláudio Cândido do Prado, 37 anos, é natural de Mato Grossox. Ele é condenado a 75 anos de prisão pela prática dos crimes de homicídio, roubo e tráfico de drogas;

2) Tiago de Souza Soares, 30 anos. É condenado a 38 anos e seis meses pela prática dos crimes de homicídio e tráfico de drogas.

3) Paulo da Silva Santos, 42 anos. É condenado a 32 anos pelos crimes de extorsão e tráfico de drogas.

4) João Francisco dos Santos, o 'Dão', 30 anos. É condenado a 39 anos por ter matado o radialista F. Gomes, em Caicó.

5) Paulo Márcio Rodrigues de Araújo, 31 anos. Preso provisório, ele ainda aguarda julgamento. É natural de Ipanguaçux.

Os outros 109 foram autuados por crimes como posse de arma, posse de drogas e dano ao patrimônio público. Marcos Vinícius ressalta que também foram ouvidos familiares dos detentos mortos que já foram identificados. Dos 26 corpos recolhidos, quatro ainda não foram identificados e permanecem no Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep). Destes, três estão carbonizados e necessitam de exames de DNA. O quarto corpo é um caso atípico, pois até o momento nenhum parente procurou o instituto para reconhecimento ou eventual identificação.

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