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domingo, 3 de julho de 2016

"Democracia, é governo de muitos, tanto é que só governa quem conquista a maioria"


Por: Antonio Carlos do Nascimento
Diz a Constituição Federal, promulgada em 5 de outubro de 1988, que
TODO PODER EMANA DO POVO, QUE O EXERCE DIRETAMENTE OU POR MEIO DOS SEUS REPRESENTANTES.
Logo, nossa democracia tem representação direta, quando o povo vai às urnas votar plebiscitos e referendos ou quando se mobiliza para legislar, fomentando políticos a aprovarem projetos de lei.
A representação indireta se dá quando os eleitos representam o povo nas casas legislativas.
E uma democracia, regime de liberdade participativa.
Se os representantes devem buscar o bem da coletividade, o bem do povo, sendo essa aliás a finalidade de uma boa Administração.
É o povo que quer alimentos mais baratos e acessíveis, com inflação controlada ou sem inflação. É o povo que quer menos impostos e mais serviços eficientes.
É o povo que merece Educação de qualidade, Saúde de qualidade, trabalho e dignidade. O povo que não tem carro próprio merece transporte para se deslocar de suas casas para o trabalho, para o lazer. Idosos na melhor idade devem e merecem tratamento digno, inclusive com direito a passeios coletivos.

Jovens para se manterem afastados das drogas necessitam da prática desportiva, nas suas diversas modalidades. Estudantes têm direito garantido ao transporte seguro para as escolas.
Em Riachuelo aconteceu um fato inusitado: alguém sentiu-se insatisfeito com o fato dos ônibus escolares, que têm a marca do governo federal e trafega, em tese, com recursos do FUNDEB, transportando idosos para o lazer, fiéis para as igrejas e jovens para os campos de futebol, nos finais de semana.
Por uma questão burocrática alguém, ou alguns, não se sabe ao certo, pelo menos nas redes não se sabe ao certo, denunciou ao Ministério Público que tais ônibus não poderiam trafegar para outras viagens, senão exclusivamente nos dias de semana para os estudantes da rede pública.
Num município pequeno, onde o transporte é precário, e em tempos de crise a maioria não pode ter carro e gasolina ao seu bel prazer, a denúncia serviu para, praticamente, no sentido conotativo, cortar as pernas de idosos, jovens e fiéis de todas as faixas das igrejas cristãs (católica e evangélicas).
Independente de quem partiu, qual o sentido dessa denúncia?
Se a pessoa faz parte de um grupo político, que faz oposição a quem está no poder (no caso, o Poder Executivo) qual o sentido e a razão para uma denúncia dessas? Causar tumulto? Deixar dezenas de idosos sem os seus passeios de final de semana, uma prática que vinha melhorando, e muito, sua autoestima?

Deixar os jovens ociosos por todo final de semana ou então serem obrigados a andar quilômetros a pé, subindo e descendo serras para chegar às quadras? Deixar os fiéis sem frequentar as festas religiosas, os eventos de confraternização, de expressão da sua fé? Obrigá-los a caminhar quilômetros a pé, arrumados, para chegar aos templos e eventos? Tudo sob o pretexto de que supostamente o ônibus amarelinho que trafega estudantes do ensino fundamental, nos dias da semana, somente e exclusivamente deve trafegar para tal serviço, devendo permanecer parado nas garagens da prefeitura até que o final de semana termine?
É preciso ter muito cuidado com certas denúncias. Numa democracia como a nossa, de ampla participação política, é preciso pensar MACRO, ou seja, da forma mais ampla possível, é preciso pensar em todo o povo e não somente nos desejos e caprichos de uma minoria. Democracia, aliás, é governo de muitos, tanto é que só governa quem conquista a maioria.
O governo de poucos ficou no passado, quando governava uma nobreza num país monárquico ou, mais recentemente, uma burguesia que esqueceu o que era burgo, nos seus primórdios.
DEMOCRACIA também não combina com a GUERRA. Com o ódio cego e inflamado, com o prazer de sempre enxergar as falhas de um governo legítimo, apagando propositalmente suas virtudes ou ignorando-as totalmente.
DEMOCRACIA é o regime da igualdade e da paz. Para que fanatizar-se por uma pessoa, escolhido como liderança, ao ponto de, mesmo conhecendo os adversários desde a mais tenra infância, transformar-se num inimigo mortal? No mundo atual não existem super-homens nem super mulheres, somos todos mortais, humanos, sujeitos à virtudes e defeitos. Deixe o extremismo, que faz tanto mal à humanidade, com poucos grupos fanáticos, como o estado islâmico (que não tem nada a ver com o muçulmano devoto, pelo menos com a maioria dessa religião).
Voltando à Riachuelo, seja lá de quem partiu a denúncia infundada, o mais prejudicado ou o mais atingido foi aquele personagem que justamente a Lei diz que é dele que emana todo o poder: o povo.
Ser situação ou oposição não é preciso somente de inteligência, é preciso também de sensatez. Que esse episódio sirva para o nosso aprendizado, de ambos os lados, oposição e situação. .

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